Enfim, a LIBERDADE. Passei mais da metade da minha vida sendo obrigada a respeitar quem não me respeita. Para mim respeito é uma coisa a qual toda pessoa tem o direito. Eu respeito minha família, meu namorado, meus amigos, meus colegas de trabalho, meus alunos. E ponto, todo mundo merece isso. Só que tem certas pessoas que confundem respeito com idolatria ou qualquer outra coisa. Querem ser absolutas. Querem ser as donas do mundo. Querem que você as respeite, sem dar nada em troca, inclusive o respeito que você também merece. E aí elas se sentem vazias quando percebem que respeito não é cobrado. Você não impõe nada a ninguém se a pessoa não deixar. E por duas décadas deixamos que isso acontecesse. Abusos, invasões, maus tratos, calúnias. Não somos vítimas, nem santos, é claro que cometemos erros, mas a verdade é que adotamos uma postura passiva e permissiva diante de tantos abusos. E ai aconteceram tantas coisas desagradáveis... Tanto que estava entalado aqui e hoje saiu, aliás, quase cuspiu-se, tanta era a vontade de falar. Sabe quando você fica entalada com alguma coisa por anos na sua garganta? Aquilo te martiriza vez ou outro, não deixando que você esqueça por completo que, se você sofre é porque está permitindo que os outros machuquem você. Então um dia isso tinha que acabar. Tínhamos de crescer. De não ter medo. De resgatar essa liberdade há tanto tolhida. Um dia a gente ia ter de gritar. E pedir licença, pedir passagem. E eu fico feliz porque não estou nessa sozinha. Existem pessoas que vão compartilhar deste sentimento de liberdade comigo. Ainda melhor: é livre para voar a pessoa que eu mais amo no mundo. Sem medo do amanhã. Incrível como mesmo na pior perspectiva, ainda sim eu só imagino o melhor, qualquer coisa é melhor do que usar aqueles grilhões. Qualquer coisa é melhor do que o chicote-língua-cruel nos açoitando. Por isso, um brinde à liberdade. Um brinde ao futuro desconhecido. Um brinde ao que tiver que vir. Que venha.
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