Tiro de misericórdia.
Um tiro de misericórdia, certeiro.
Não havia mais como poupar o moribundo animal,
degladiando-se rebelde incapaz do sacrifício.
Mas não havia o que fazer.
A morte certamente seria alívio,
pensou o algoz enquanto sacava a arma.
E quando mirou bem no meio dos olhos agonizantes,
não sentiu compaixão.
Não podia haver compaixão, apenas o sentimento
impiedoso do extermínio.
E pronto, acabou.
Quase não doeu nada.
Quase.
Um comentário:
Ana, no texto ou na vida, é a nos que devemos enxergar... e bem; porque somos nos que turvamos o olhar quando olhamos para o outro. Vc não acha? é tão forte o que vc escreve. parecem meus mantras de ultimamente, em que toda a dor parece consumar muita coisa que perdi.
bom te ler.
um beijo.
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