quarta-feira, agosto 20, 2008

Ensinou as filhas a serem mais fortes que homens. Exaltou tanto a força, a beleza e a coragem das mulheres que fez das filhas criaturas lindamente confiantes, mas assustadoras, porque elas possuíam uma força que era quase um poder. E o poder sobre sí mesmo assusta a maioria de nós, que se equilibra o quanto pode durante essa corrida. Mas suas filhas não eram passageiras, suas filhas eram os próprios cavalos, guiando por nada mais que seus instintos e confiança e fazendo o seu próprio caminho, sem precisar de direcionamento ou rédeas. Indomáveis feito cavalos selvagens e sempre muito rápidas em suas decisões elas todas botavam medo nos galanteadores de plantão, pois nenhum homem queria por esposa uma mulher que não fosse conduzida, mas que ao contrário se conduzia em suas próprias patas. E foi assim que Helena conheceu o homem de sua vida e tão logo o perdeu. Ele vislumbrou todo aquele poder, aquela força e simplesmente virou as costas. Não queria alguém com quem dividir o poder. Queria alguém a quem cuidar, queria alguém para o servir e o amar sem rebeldias. Helena não conseguia simplesmente negar a sua natureza, ela bem tentou ser um animal doméstico por ele. Ela tentou se amansar e tentou tanto que se deixou amansar demais e deixou que o amor, outra besta selvagem e sem controle, lhe tomasse o coração. Quando ele partiu com a moça mais domesticável e pacífica do mundo, aquela a quem ele tomaria conta para o resto de sua vida, deixou para trás um coração vazio e amargo. E Helena sentiu a sua força bestial voltando para nunca mais lhe abandonar com uma intensidade surpreendente e muito dolorida para quem ousasse lhe contrariar. Ela jamais deixaria de ser um animal selvagem agora.

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