Sou uma mulher forte. Ainda outro dia disse para alguém que me sinto inquebrável. E é assim que me sinto mesmo, inquebrável, dona de uma força que jamais experimentei. Essa sensação chega a ser viciosa, você experimenta e quer todos os dias. Tô longe de me sentir poderosa todos os dias, mas já me sinto mais forte do que o de costume. Mas eu tenho medo disso também - estou travando essa mesma conversa no MSN com Deka - porque eu tenho medo de ser tão independente que acabe ficando arrogante. Tenho uma amiga muito querida. O nome dela não vem ao caso, mas essa amiga - que estudou comigo - é o que eu chamo verdadeiramente de mulher independente - ou pelo menos chamava - : bonita, ganha seu próprio dinheiro, trabalha, estuda e namorava um partido promissor, do tipo que se ela não quisesse nem precisava trabalhar. Mas ela era independente demais. Em vão o partidão a pediu em casamento, foram várias propostas negadas porque ela não queria abrir mão de suas conquistas. Eis que um dia o partidão deixa de ser atrativo e ela começa a sair com o Garotão - metido, mimado, violento e prepotente, tudo num pacote só -. O Garotão é obviamente mais novo, mais bonito, mas infinitamente menos interessante que o Partidão, mas sabem como é? Carne nova no pedaço, a mulher gamou. E aí viveu um ano no inferno astral sem direito a devolução. Além da arrogância desmedida, Garotão tem um parafuso a menos, gosta de agredir física e moralmente minha amiga querida. Um dia, eu mesmo andei brigando com Garotão em público, porque não tolero desaforo de quem mal me conhece. Claro que puxei a orelha da amiga, afinal de contas aonde estava a mulher independente, maravilhosa, absoluta de anos atrás? "Ela era tão independente que ficou sozinha, parou de precisar de todo mundo" me disse a amiga, com extrema compaixão. E foi aí que eu entendí que preciso buscar um meio termo, um equilíbrio entre a mulher forte que tenho em mim, esse furacão chamado Ana e alguém que saiba ser meiga, que saiba precisar dos outros sem medo, mas ainda estou longe dessa resposta, como ainda estou longe de alguma catástrofe pessoal também, mas a resposta está aí, a solução é o equilíbrio, sempre. Que meus pés me levem ao equilíbrio sem titubear muito pelo caminho.
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