segunda-feira, dezembro 22, 2008

memórias da mulher pedra - parte 2

A Mulher-Pedra se permite uma crise nervosa por dois minutos. Dois únicos minutos de total descontrole emocional. Lágrimas, blasfêmias e um óculos escuro que lhe disfarce o estado. A falta que o cigarro lhe faz enquanto ela vasculha a bolsa por algum alívio e percebe então que seus cigarros acabaram no bar. Mais uma torrente de blasfêmias enquanto ela se culpa pela distração. E agora ela só precisa descobrir o que fazer. Mudar de planos é claro. É mais fácil mudar de rumo do que começar a caminhada do zero, embora a mudança de planos não a anime nem um pouco. Ela pondera e considera que é bom ser assim, Mulher-Pedra, sofre-se menos. Ou... (e é aí que ela desperta) guarda-se mais. Guardar não é bom. Guardar significa que uma hora ela terá que tirar os esqueletos do armário. Ela não devia ter nada para guardar, não é esse o princípio fundamental em ser Pedra? Não guardar, não sentir, não viver essa expectativa idiota. Não guardar, essa é a nova meta. Não sentir. E definitivamente não esquecer mais de comprar cigarros.

Um comentário:

Mariana Figueiredo disse...

A mulher de pedra que conheço foi capaz de fazer um rei cair de joelhos. Pigmalião. Jundo dela o desprezo. Pra ser de pedra tem que ser blasé.
Beijos, Ana. Boa noite e boa sorte.