Aos quinze anos, meu amigo Marcelo me disse que eu era desafinada. E foi tão fácil acreditar nele e nunca cantar em público. Era mais fácil acreditar nele do que em mim. E eu nunca gostei de cantar perto das pessoas. Aos vinte oito meu amigo de sala me diz que eu tenho uma voz linda, que é a primeira coisa que ele nota em mim. E porque não tentar um coral? Vocês acham que foi fácil crer nele também? Não foi, temos o péssimo hábito de absorver apenas o que é ruim e eu não sou diferente, aliás, absorvo o ruim com mais velocidade. Minha mãe também me disse que minha voz é bonita, mas a gente nunca leva a mãe a sério, né? Mas querem saber? Hoje eu cantei na rua, a plenos pulmões, sem platéia, mas na rua para quem quisesse ouvir, apenas porque eu queria cantar.
E que ninguém nunca mais me cale.
3 comentários:
Lindo! Lindaaaaa! ^_^ Não deixe mesmo ninguém te calar, flor!
"I don't want to know your influence/I don't need to prove myself/I just need to be myself/It doesn't show who I'm trying to be/It just shows who I am"(Anthrax)
A opinião dos outros é uma faca afiada e terrível. Somos sentimentais. Não se deixar calar é um exercício diário de força e de vontade de ser! Não existimos sem o outro, mas o outro não é o miolo do que somos!
Já pensou se o amigo q chamou de desafinada estava brincando naquele dia?
...
É bom ser primeiro quem você é, aí se perceber que realmente incomoda muito, tentar se controlar, mas sem nunca esquecer a própria essência.
Ana, por aqui é tudo tão lindo, tão verdadeiro, tão intenso. Suas palavras já são su7a descoberta, sua auto-estima, sua beleza, sua vida por aí a cantar plenamente.
E, sim, em parte, é turismo; em outra, é também uma busca de mim mesma, de minha vida, do que amo, do que preciso para viver.
É bonito, Ana. A vida é bonita, não esqueça. Que eu não me esqueço, mesmo entre lágrimas.
Postar um comentário